“Meu filho renasceu”, diz mãe de bebê que ficou 199 dias na UTI

Complicações na gravidez levaram ao nascimento prematuro do “Super Bê”, que passou por diversos tipos de tratamento em mais de seis meses de internação


“Eu vi meu filho vencendo a morte”, relata Dayana, a mãe do “Super Bê”, que fi-cou 199 dias na Unidade de Terapia Intensiva neonatal (UTI) da Maternidade Bra-sília, em 2020. Nascido prematuramente às 31 semanas de gestação, o pequeno Bernardo teve inúmeras complicações, passou por cirurgias e diversos tratamen-tos. Hoje o menino está bem e saudável em casa, nos braços dos pais. Alívio e alegria para quem planejou sua chegada por muito tempo.

Complicações no meio da gravidez levaram Dayana e Bernardo a um parto bem antes da hora e por isso foram internados na UTI neonatal e Materna da Materni-dade Brasília. Dayana teve alta após três dias e assim começou a saga com o Ber-nardo. “Tanto no período de internação do Bê, quanto antes disso soube de mui-tas histórias, conheci mães que perderam seus bebês e passei por muita angústia. Mesmo assim, eu também tive lá os meus melhores dias. O Bernardo teve todo o apoio necessário para renascer, sendo cuidado, tratado e isso para o coração de uma mãe não tem preço”, relata a mãe.

Dayana conta que o suporte não foi apenas para Bernardo, mas que ela também ganhou a atenção de todos os profissionais. “Elas não cuidaram só do meu filho, elas cuidaram de mim. Uma mãe de UTI é uma mãe solitária, pois não é qualquer pessoa que pode ficar ali com a gente. O Bernardo foi evoluindo e ao mesmo tempo enfrentou outras situações, foi entubado várias vezes. Meu filho passou por inúmeras cirurgias, exames, pioras, melhoras, mas sempre com muito cuida-do e carinho dos profissionais”, conta.

A agonia foi tanta que Dayana conta que por vezes voltava para casa apreensiva, esperando uma ligação no meio da noite dizendo que o filho havia morrido. Con-tudo, depois de seis meses e 15 dias, Bernardo está em casa, sorrindo, brincando, comendo. A mãe ainda finaliza dizendo que quer manter a equipe por perto, pois eles fazem parte das vidas sua e de seu filho.

Histórias como a do super Bê, como a equipe do CETIN apelidou o pequeno, não são incomuns. De acordo com a Neonatologista da Maternidade Brasília Ana Amélia, a média de internação dos bebês prematuros que necessitam de UTI Ne-onatal é de cerca de 2 meses. Entretanto, não é incomum que um recém-nascido passe tanto tempo assim no hospital. “Já tivemos outros bebês que também fica-ram muito tempo conosco, por precisarem de alguns procedimentos que eram necessários ainda em ambiente de terapia intensiva neonatal. Nós oferecemos um atendimento multidisciplinar, que é essencial para que a assistência desses bebês seja completa”, destaca.

Ana Amélia ressalta que a equipe multidisciplinar que atende as mães e bebês que necessitam da unidade possui formação humanizada para acolher neste momento difícil que demanda muita força e resiliência. 

“O Bernardo teve acompanhamento com cardiologista, neurocirurgião, neurolo-gista, broncoscopista, cirurgião pediatra, além do apoio e cuidados da equipe de enfermagem, fisioterapia, fonoterapia, terapia ocupacional, nutricionista, farmácia clínica, psicologia. Isso foi o que garantiu que o nosso príncipe pudesse se resta-belecer de problemas de saúde muito graves”, finaliza a médica.